Guia SORA para Drones

Guia SORA para Operações de Drones: O que é e Como Aplicá-lo?

A Avaliação de Risco de Operações Específicas (SORA) é uma metodologia desenvolvida pela Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) para classificar e mitigar os riscos de voos de drones na categoria específica. Este guia oferece uma explicação passo a passo sobre como aplicar a SORA nas suas operações de drones.

O que é a SORA?

A SORA é uma metodologia sistemática para identificar e mitigar riscos em operações de drones que não se enquadram em cenários padrão (STS) ou avaliações de risco pré-definidas (PDRA) dentro do quadro da EASA. Ela apoia os operadores de UAS na determinação de limites operacionais, requisitos de treinamento e características técnicas dos drones para possibilitar operações seguras.

A SORA consiste em uma série de etapas que ajudam o operador a avaliar o risco no solo (Ground Risk Class, GRC) e no ar (Air Risk Class, ARC) de uma operação planejada, estabelecendo medidas mitigadoras para atingir um nível aceitável de segurança operacional.

  1. Destinada a operações na categoria específica da EASA que não podem ser cobertas por STS ou PDRA.
  2. Avalia riscos tanto no solo quanto no ar de forma sistemática.
  3. Fornece insumos para a elaboração de um manual de operação (ConOps) e uma autorização operacional.

Quando a SORA é relevante para operadores de drones em Portugal?

Em Portugal, operadores de drones que operam na categoria aberta não utilizam a SORA, pois este regime autoriza automaticamente operações de baixo risco sem análise aprofundada. Para operações na categoria específica que não se enquadram em cenários padrão ou PDRA, a SORA é aplicável.

A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) utiliza o processo SORA como parte do pedido de autorização operacional para a categoria específica. Isto é obrigatório para operações que não se enquadram em cenários padrão (STS) e onde não exista uma avaliação PDRA aplicável.

Nota: O conceito de Declarações de Cenários Padrão (STS) é um âmbito da EASA e pode ser utilizado em Portugal em operações nas categorias aberta e específica, mas não deve ser confundido com processos aplicáveis em outros países como o Reino Unido, onde o STS não é utilizado para aprovações.

  1. Essencial para operações BVLOS de maior risco ou complexidade na categoria específica.
  2. Aplicado em operações novas ou atípicas que ficam fora dos cenários padrão e PDRA.
  3. Base para formular pedidos de autorização operacional junto da ANAC.

A abordagem de 10 etapas da SORA para operações de drones

A SORA compreende dez etapas sequenciais que auxiliam o operador a identificar, classificar e mitigar os riscos operacionais. O processo inicia-se com a descrição da operação (ConOps) e culmina na formulação das limitações operacionais e requisitos de formação.

Passos importantes incluem a avaliação da Ground Risk Class (GRC), Air Risk Class (ARC), a identificação de medidas mitigadoras geográficas e procedurais, e a implementação de um Plano de Gestão de Risco Operacional (Operational Risk Plan, ERP).

Os resultados da avaliação devem ser integrados no manual operacional e no ERP, documentos obrigatórios a acompanhar a submissão do pedido de autorização operacional à ANAC.

  1. Passo 1: Descrição da operação (ConOps).
  2. Passos 2 a 4: Determinação das classes de risco (GRC e ARC).
  3. Passos 5 a 7: Aplicação de medidas mitigadoras e fatores corretivos.
  4. Passos 8 e 9: Consolidação do perfil de risco (SAIL).
  5. Passo 10: Definição de restrições operacionais e requisitos de treino.

Dicas práticas para a elaboração de dossiês SORA

Elabore um ConOps detalhado que descreva claramente a operação, o ambiente operacional e o equipamento utilizado. Este documento é a base para a avaliação de risco.

Colabore com consultores de segurança oficiais ou utilize avaliações PDRA reconhecidas para reduzir a carga administrativa onde possível.

Documente cuidadosamente todas as mitigações e pressupostos, incluindo as etapas SORA aplicadas e evidências que suportem as conclusões, pois são essenciais para o pedido de autorização na ANAC.

Verifique que todas as limitações operacionais estão alinhadas com o ConOps e que o Plano de Gestão de Risco Operacional (ERP) contempla adequadamente as situações de emergência.

  1. Detalhar clara e completamente o ConOps.
  2. Usar métodos PDRA homologados sempre que aplicável para facilitar o processo.
  3. Manter documentação rigorosa sobre mitigação e formação exigida.
  4. Assegurar inclusão do ERP e procedimentos de emergência.

Erros comuns na aplicação da SORA e onde prestar atenção

Um erro frequente é a delimitação insuficiente da área operacional, ignorando riscos em áreas adjacentes, o que pode comprometer a avaliação de risco.

Por vezes, os operadores subestimam as mitigacões técnicas e organizacionais necessárias, apesar da metodologia SORA explicitar esses requerimentos.

Falta de coerência entre o manual operacional, ERP e ConOps pode resultar em discrepâncias práticas e na rejeição do pedido de autorização pela ANAC.

  1. Delimitação incompleta ou imprecisa do espaço operacional.
  2. Subavaliação dos requisitos de mitigação e níveis necessários de treino.
  3. Documentação desconexa entre ConOps, ERP e manual operacional.
  4. Não cumprimento das normas legais vigentes e orientações da ANAC.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre SORA e PDRA?

A SORA é uma metodologia detalhada para avaliar riscos em operações complexas de drones que não são cobertas por cenários padrão (STS) ou por avaliações PDRA pré-definidas. Os PDRAs são avaliações padronizadas para situações operacionais específicas e fornecem uma abordagem mais simplificada. Em Portugal, um operador de UAS pode submeter pedidos de autorização operacional baseados em PDRA ou em SORA, conforme o caso.

A SORA é obrigatória para todos os operadores de drones em Portugal?

Não. A SORA é obrigatória apenas para operações de drones na categoria específica que não se enquadram na categoria aberta e para as quais não existe cenário padrão (STS) ou PDRA aplicável. Muitas operações simples na categoria aberta estão isentas de aplicação da SORA.

Onde posso encontrar informação oficial sobre a SORA em Portugal?

A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) é a autoridade competente em Portugal. Informações oficiais sobre SORA e autorizações operacionais da categoria específica estão disponíveis no site da ANAC e nos regulamentos europeus publicados pela EASA.

Posso utilizar a rota STS da UE para as minhas operações de drones em Portugal?

Sim, o conceito de Cenários Padrão (STS) da EASA é aplicável em Portugal para determinadas operações nas categorias aberta e específica, conforme definido pela ANAC. Contudo, este conceito não está disponível como rota operacional no Reino Unido.